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1926 — 2026 · Centenário

Associação Santa Cecília

Fundada em 27 de julho de 1926, celebra em 2026 seus 100 anos de cultura, esporte, convivência e união comunitária.

100 anos de história Vila Caraguatá, Salvador das Missões — RS
O salão da Associação Santa Cecília, na Vila Caraguatá, atualmente

O salão hoje — Associação Santa Cecília, Vila Caraguatá

AtualmenteConfirmado por múltiplas fontes

Associação Santa Cecília — 1926–2026: cem anos de história. Um século de fé, música, esporte, trabalho e, acima de tudo, de união. Esta é a história de gente simples que, juntando as mãos, ergueu um lugar para cantar, celebrar e conviver — e que a nós, hoje, cabe agradecer e continuar.

O espírito comunitário vindo do além-mar

O espírito comunitário, trazido como herança do além-mar, estava fortemente enraizado neste povo. Encaminhada a Comunidade, os moradores passaram a se preocupar com o lazer das famílias nos finais de semana. Inspirados nas experiências das comunidades vizinhas e da própria Alemanha, começaram a formar um coral, que interpretava cantos populares e sacros — muitos deles vindos da diocese de Trier, na Alemanha — para animar os cultos e as missas e, também, para espantar a saudade da terra natal. Nasceu ainda um grupo teatral, que apresentava peças nos dias de confraternização.

Fundação — 27 de julho de 1926

Estimulados por essas ocupações, os moradores fundaram a Sociedade de Canto, tendo como padroeira Santa Cecília. Constituiu-se, em 27 de julho de 1926, a Associação Santa Cecília, que animaria os cultos e a Missa da Comunidade e seria um atrativo nas festas, com o coral e as peças teatrais ensaiadas com entusiasmo para alegrar os sócios e suas famílias. Desde então, ela funciona ininterruptamente, realizando suas tradicionais festas anuais de confraternização.

A festa que a guerra silenciou

Houve, porém, um ano em que a festa não aconteceu. Durante a Segunda Guerra Mundial, a nacionalização proibiu falar alemão. Sem a língua que era de casa, e sem ainda dominar o português, era como pedir que uma comunidade inteira permanecesse muda — e uma festa de gente muda, depois de algumas cervejas, simplesmente não era possível. Foi um tempo de dor, mas a Associação se reinventou e seguiu adiante.

Os primeiros espaços de convívio

As finanças nunca foram fáceis: dependiam unicamente das contribuições anuais dos associados. Ainda assim, a Comunidade construiu uma casa para festas e a doou à Associação, ergueu uma churrasqueira a céu aberto e uma parte coberta para os eventos sociais. Cada tijolo era, na verdade, um gesto de pertencimento.

1963: o pontapé inicial — o voleibol

Em 1963, a pedido dos jovens, a Associação recebeu uma rede e uma bola de voleibol. Fez-se o campo de vôlei — que passou por diferentes terrenos da comunidade — e, a partir de 1965, começaram os torneios entre as Sociedades da região, disputados nas tardes de domingo. O time da Santa Cecília tornou-se praticamente imbatível: foram dezenas de taças conquistadas. O voleibol foi a alavanca propulsora da Associação — o pontapé inicial de tudo o que veio depois.

O Flamengo da Caraguatá — 1970

Com o esfriamento do vôlei, jovens e casados se animaram no futebol. Para os torneios era preciso dar um nome ao time, e escolheu-se Esporte Clube Flamengo da Caraguatá, ramo esportivo da Associação, formado por volta de 1970. Por anos o futebol rolou em potreiros cedidos por famílias da comunidade, até ganhar, enfim, um campo próprio ao lado da escola, da capela e do salão. O esporte foi a mola mestra que impulsionou a Associação — um sim, dado por cada geração, aos nobres idealizadores que a fundaram em 1926.

O salão de madeira — 1970

Em 1970, a Associação comprou um salão de madeira dos irmãos Hoffmann, da Amadeu Sul, em Campinas das Missões. Houve entendimento com um grande líder comunitário — dono de outro salão de bailes — que, não pensando somente em si, mas no bem e no progresso de todos, deu liberdade à Associação para seguir em frente. Surgiu então uma polêmica: um grupo queria já construir um salão novo de alvenaria; outro, mais imediatista, preferia o salão de madeira. A decisão, como sempre, foi da comunidade: em votação secreta, a ala jovem venceu por larga margem pela aquisição do salão de madeira — tendo, à época, Arlindo Bremm como presidente. Os bailes cresceram e a Associação foi se capitalizando.

A decisão pelo salão de alvenaria — 1981

Diante do bom momento, na ata de 27 de março de 1981, sob a presidência de José Ermindo Heckler, discutiu-se a primeira taxa para a construção do novo salão de alvenaria. Optou-se por construir em alvenaria, com base nas plantas das Sociedades da Butiá Inferior e de Santo Antônio. Segundo o projeto do engenheiro José Ronaldo Dewes, o novo salão teria 35 metros de frente por 58 metros de fundo, com espaço para cancha de bolão e outros esportes.

Sacas de soja e mutirão

A taxa foi fixada em 37 sacas de soja para os casados e 17,5 sacas para os solteiros. Quem tinha, adiantava por empréstimo a parte dos que enfrentavam dificuldades. Quem não dispunha da soja podia pagar com o próprio trabalho, na mão de obra da construção; outros seguiram anos quitando sua taxa. Tudo para que todos — sem exceção — pudessem participar daquela alegria e daquela confraternização. Foi, mais uma vez, o espírito comunitário em sua forma mais plena.

A comissão que ergueu o salão

A obra foi conduzida por uma comissão de construção formada por membros da própria comunidade: Canísio Henrique Wenzel (presidente), Danilo Rockenbach (vice-presidente), Arsênio Blásio Schmitt (secretário) e José Urbano Dielenburg (tesoureiro, depois Pedro Hahn), com os conselheiros Odilo Schneider, Guido Inácio Kaufmann, Danilo Henrich, Antônio Aloísio Heck e José Ermindo Heckler. O primeiro grande negócio foi a compra de toda a estrutura metálica — aberturas e tesouras do telhado — por Cr$ 931.000,00. Cartas foram escritas a autoridades em busca de recursos, e veio uma verba de Cr$ 500.000,00 da FUNABEM, sacada após várias viagens a Porto Alegre. A inflação galopante corroeu boa parte do dinheiro, mas ele cobriu os alicerces da obra.

Inauguração — 20 de maio de 1984

Um ano após o início das obras, o novo salão foi inaugurado em 20 de maio de 1984. Mais do que uma construção, ele era a prova viva do que a união é capaz de erguer. Ficou eternizada a frase que, entre aplausos, resumiu aquele dia:

Isso nós construímos graças à nossa união.

No discurso oficial, já se falava em seguir progredindo — com cancha de bolão, mesa de pingue-pongue e novos espaços de convívio para as próximas gerações.

Bocha, bolão e a churrasqueira

Os espaços continuaram a crescer. Uma cancha de bocha de areia foi inaugurada em 6 de julho de 2002, e o bolão passou a funcionar, tornando-se ponto de encontro das famílias. À planta original juntou-se uma ampla e moderna churrasqueira, com capacidade para assar mais de 600 kg de carne de uma só vez — porque, em Caraguatá, celebrar é também estar à mesa, juntos.

Clube de Mães e Grupo Sempre Unidos

O Clube de Mães tem seus domingos de preparar guloseimas para vender no salão, mantendo viva a culinária e a participação nas festas. E o salão é também o abrigo do grupo de idosos “Sempre Unidos”, fundado em 7 de junho de 1991, que promove encontros a cada duas semanas — prova de que aqui a convivência não tem idade.

Gratidão

Tudo isso se deve ao pontapé inicial dado nos anos 60 e, sobretudo, às pessoas honestas que vieram integrar as diretorias da Associação, cuidando mais do patrimônio dela do que do seu próprio — e que, assim, foram escrevendo a sua história. A cada família que contribuiu com uma saca de soja, um dia de trabalho ou simplesmente com a sua presença; a cada voz do coral, a cada jogador, a cada mão que ergueu uma parede; aos que fundaram em 1926 e aos que seguem cuidando hoje — o nosso mais sincero obrigado. Esta linda caminhada é de todos vocês.

Centenário — 1926–2026

Em 2026, a Associação Santa Cecília celebra 100 anos de história. Uma área especial deste portal reunirá a programação, fotografias, vídeos, homenagens, depoimentos de ex-presidentes e a cobertura das comemorações — para que a gratidão de um século seja partilhada por toda a comunidade.

Homenagem do Centenário

Sócios fundadores

Em 27 de julho de 1926, dez moradores da Vila Caraguatá fundaram a Associação Santa Cecília. Movidos pelo espírito comunitário, pela fé e pela união, deixaram um legado que atravessou cem anos. Seus nomes estão gravados na placa comemorativa do Centenário, no salão da Associação.

  1. 1Carlos Theobald Heberle
  2. 2Jacob Lenz
  3. 3João Friedrich Schons
  4. 4José Albino Dillenburg
  5. 5Karlos Simon
  6. 6Leopold Heineck
  7. 7Mathias Ernst Teschke
  8. 8Pedro Francisco Heineck
  9. 9Peter Vitus Becker
  10. 10Richard Stenzel
“Rendemos nossa gratidão e reverência a esses pioneiros, cujo legado de trabalho, dedicação e espírito associativo permanecem vivos e inspiram as gerações presentes e futuras.”
Placa do Centenário — Vila Caraguatá, Salvador das Missões/RS, 27 de julho de 2026
Placa comemorativa do Centenário da Associação Santa Cecília, com os nomes dos sócios fundadores e da diretoria de 2026

Toque na placa para ampliar e ler os nomes

2026Confirmado por múltiplas fontes

Galeria

Construção do salão

O esforço coletivo que ergueu o salão de alvenaria da Associação Santa Cecília, inaugurado em 1984.

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Área do Centenário

1926 — 2026: cem anos celebrados pela comunidade

Uma área especial reunirá a programação das comemorações, homenagens a ex-presidentes, depoimentos, fotografias e a cobertura do evento.